segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

 

Delírio Legislativo

As Portarias n.º 768/2006 (2.ª série), de 21 de Abril, e n.º 767/2006 (2.ª série), de 21 de Abril, ambas assinadas pelo Exmo. Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, é mais uma prova e um sintoma claro do espírito de oportunidade, de improviso e de anarquia normativa no que concerne à pesca desportiva em Portugal.

Na minha humilde opinião, não me parece que, considerando a hierarquia dos normativos legais, uma Portaria possa alterar um Decreto ou um Decreto-Lei. E aqui acabaria toda e qualquer discussão sobre o assunto.

Mas, ainda assim, será pertinente tecer alguns comentários sobre o espírito e a letra dessas portarias.

Relativamente à Portaria n.º 767/2006 (2.ª série), de 21 de Abril, há a salientar o seguinte: Ninguém pode duvidar do enorme interesse e importância de que se reveste o Campeonato do Mundo de Pesca à Truta. Este acontecimento terá repercussões desportivas, económicas, turísticas e sociais, e é um acontecimento sem precedentes no nosso país.

Mas não posso deixar de me preocupar com a forma que os nossos governantes utilizam para tratar assuntos com a importância que têm temas como a preservação das espécies, a gestão dos recursos piscícolas, a regulamentação da pesca desportiva, a educação dos jovens pescadores. Sim, porque é exactamente na medida em que tudo isso falha que se torna necessário recorrer a medidas, no mínimo estranhas, esporádicas, desconexas e sem sustentabilidade e cuja única intenção será porventura fazer com que os atletas que nos visitarem não levem uma impressão demasiado negativa acerca da forma como os portugueses tratam das coisas da pesca e do estado deplorável em que se encontram os nossos rios salmonídeos.

Algo mais me deixa indignado: De um total de 22 fins-de-semana mais 2 feriados, correspondentes à época de 2006, o governo retira-nos a possibilidade de 8 desses dias, ou seja, uma redução de 33%. Apetece-me exigir que me seja devolvida a quantia correspondente a 33% dos gastos realizados com a preparação que fiz para esta época, incluindo, é claro, o custo da licença de pesca nacional, obtida em devido tempo.

Maia Lopes

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